Literatura e Ideologia

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Literatura e Ideologia aplica alguns princípios de análise intertextual no estudo da obra teatral de Almeida Garrett e de Sttau Monteiro, particularmente quando dialogam com duas peças de Gil Vicente. Garrett, imbuído do desafio de restaurar o teatro nacional português, usa a fantasia alegórica Cortes de Júpiter (1521) como eixo para a composição do drama Um auto de Gil Vicente, de 1838. Monteiro, objetivando construir uma crítica ácida ao regime ditatorial salazarista que dominou Portugal por mais de 40 anos, estiliza o conhecido Auto da barca do inferno (1517), através do engenhoso Auto da barca do motor fora da borda, de 1966.

Todavia, a grande contribuição desta obra para os estudos literários é a discussão acerca dos motivadores ideológicos que regem o diálogo intertextual. A partir do conceito de ideologia (Chauí e Ricoeur) e da teoria do cronotopos literário (Bakhtin), o autor aponta que as relações dialogais são objetos da metalinguística refletidas na construção da linguagem. Tais princípios são aplicados no estudo dos signos cênicos cronotópicos não-verbais, tais como a barca e o paço, a fim de demonstrar o modo pelo qual eles revelam os motivadores ideológicos de Garrett e Monteiro. Finalmente, a análise da construção das personagens do metateatro destes dois autores visa confirmar a repetição dos mesmos motivadores ideológicos investigados no cronotopos.