Palavra e o Silêncio, A: Kierkegaard e a relação dialética entre a razão e a fé

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Este estudo traz luz ao tema já consagrado nos estudos de Kierkegaard das três acusações mais frequentes lançadas contra ele, a saber, que ele era um irracionalista, um subjetivista e um isolacionista. Temor e Tremor é frequentemente citado para justificar estas acusações. De fato, este pequeno clássico, com seus três problemas dialéticos, pode dar a entender tal coisa se lido com olhos dogmaticamente racionalistas. A defesa kierkegaardiana, em primeiro lugar, do valor da fluidez da temporalidade histórica e da existência humana em contraposição às noções platônico-aristotélicas da superioridade da imutabilidade do eterno em relação ao fluxo, pode dar a entender ao racionalista que se está defendendo alguma forma de irracionalismo, em vez de se estar tentando trazer o equilíbrio dialético que a reflexão filosófica e teológica tanto carece. A defesa kierkegaardiana, em segundo lugar, da individualidade e da subjetividade em contraposição aos conceitos racionalistas de universalidade e objetividade epistemológicas, pode dar a entender ao racionalista que se está defendendo alguma forma de subjetivismo, em vez de se estar tentando trazer o equilíbrio à relação sujeito-objeto e à relação universalidade-particularidade que faz tanta falta ao pensamento teórico em geral. Por fim, a defesa kierkegaardiana, em terceiro lugar, da interioridade e da privacidade do indivíduo em contraposição à exigência ética e sociopolítica de expressão pública da personalidade, pode parecer aos olhos de um racionalista como a defesa de alguma forma de isolacionismo, em vez de parecer uma tentativa de trazer o devido equilíbrio à dialética entre o público e o privado nas relações sociopolíticas.